*Tecnologia para quê?
Sem dúvida nossa sociedade está muito modificada se comparada com aquela de algumas décadas atrás. Estima-se que o conhecimento adquirido no último século foi equivalente àquele obtido durante toda a história da humanidade. Que conseqüências isso tem para as pessoas? Nosso mundo é dinâmico, mas para estarmos bem-adaptados a ele precisamos cada vez mais ter noção do conhecimento geral acumulado e estar aptos para assimilar, em velocidade cada vez maior, conhecimentos específicos importantes para nossas pseudo-profissões (estas mesmas estão se transformando, surgindo, desaparecendo de maneira surpreendente).
E as crianças? Estão vivendo nesse turbilhão, expostas a uma mídia muitas vezes sem escrúpulos, sem valores éticos e morais, mas que incute suas mensagens com a ajuda de tecnologias eficientes. Não se pode negar que dentro dessa parafernália existem iniciativas louváveis que conseguem ao mesmo tempo cativar as crianças e transmitir suas mensagens educativas. Contudo, esse dinamismo em geral passa longe das salas de aula. Escolas e professores têm de competir com esse mundo superficial de distrações para despertar interesse e motivar as crianças.
E os professores? Responsáveis pela preparação dos novos cidadãos, eles deveriam ter condições de repensar os currículos quase que anualmente para adaptá-los a novas realidades, deveriam usar as mesmas "armas" na transmissão do conhecimento que as mídias (e ter treinamento para tal), e estabelecer uma comunicação intensa com a sociedade em geral e com seus pares. Em vez disso, chegamos a um modelo de escola no qual os professores passam quase todo o seu tempo dentro de salas de aula aplicando conhecimentos adquiridos há muito e pouquíssimas vezes atualizados ou reciclados, ficando claro que um dos setores menos sensíveis ao desenvolvimento tecnológico desta sociedade é o sistema educacional. Para adaptar a educação ao mundo atual são necessárias transformações no processo educacional.
A tecnologia é imprescindível para esse repensar da educação?
Não! Porém ela pode facilitar e abreviar o processo.
Para que os cidadãos de hoje se integrem ao mundo em que vivem espera-se que sejam críticos, bem-informados, trabalhem de modo harmonioso em grupos e reciclem continuamente seus conhecimentos, mostrando-se aptos a desenvolver raciocínios cada vez mais complexos. As novas diretrizes da educação brasileira indicam esforços nesse sentido.
Pelo simples fato de se agregar tecnologia à educação já se tira a inércia do processo educacional, pois o agente transformador se vincula ao processo. Como conseqüência, aparece naturalmente uma valorização do ensino e em particular do papel do professor junto à sociedade. O uso efetivo de tecnologia serve também para eliminar desigualdades impostas por condições socioeconomicas ou geográficas. Além disso, estudos de casos confirmam que as novas tecnologias apóiam processos de raciocínio mais complexos, estimulam a motivação e a auto-estima, preparam os estudantes para o futuro e favorecem mudanças na estrutura escolar.
Por que Internet?
Por suas características, a Internet pode se tornar imprescindível ao processo educacional em seu conjunto. Ela possibilita o uso de texto, sons, imagens e vídeo para a transmissão de conhecimentos. Permite que conhecimentos gerados em qualquer parte do mundo sejam acessíveis a todos. Permite que alunos e professores consultem especialistas em diversas áreas. Incentiva a colaboração entre diferentes centros e culturas para a formação de conhecimento ou o trabalho na resolução de problemas comuns. Permite que alunos mostrem seus progressos a uma comunidade muito maior que aquela restrita a sua escola e seus pais, trazendo motivação extra e abrindo possibilidades para métodos de avaliação mais abrangentes.
Benefícios Educacionais
A Internet funciona como um estopim para o início da interação efetiva entre professores, gerando com isso propostas de trabalhos interdisciplinares que levam a um sistema de ensino menos compartimentado. Faz uma ligação da escola com o mundo exterior e aumenta a comunicação com os pais e a comunidade. Transforma a escola em produtora de conhecimento, retirando-a de seu papel de simples receptora.
Do ponto de vista dos estudantes, as mudanças são radicais. Quando eles trabalham por projetos ou buscando informações na Internet, constroem seu conhecimento por meio de problemas da vida real. Usam as mesmas ferramentas que os profissionais de diversas áreas. Eles têm consciência da importância que a sociedade dá a essa habilidade. Sabem que estão adquirindo know-how imprescindível para suas vidas futuras e valorizam isso. Para eles esse tipo de trabalho é muito divertido. Os recursos da Internet permitem que produzam projetos finais muito mais sofisticados. O aluno deixa de ser um receptor passivo de informações e passa a ter um papel extremamente ativo. Tudo isso traz motivação e auto-estima indispensáveis para o processo de ensino-aprendizagem.
Outra habilidade favorecida pelo uso da Internet e comumente negligenciada em aulas tradicionais é a capacidade de colaboração em trabalhos em grupo. Projetos colaborativos desenvolvidos na Internet incentivam uma preocupação extra com design, clareza, novas informações, argumentação fundamentada e busca de novos recursos. Ou seja, a construção do conhecimento e do processo de ensino-aprendizagem com a participação do próprio aluno. Quando os projetos envolvem a comunidade ou têm objetivos sociais, o aluno se sente recompensado pela sua contribuição social e valoriza mais a escola e a aprendizagem.
Logicamente os alunos têm de superar barreiras, entre elas a de aprender a lidar com a tecnologia e selecionar e usar material original. Eles também têm de achar um ponto de equilíbrio entre a qualidade do design, o tempo despendido com essa atividade e a produção efetiva de material interessante. A partir de alguns relatos do uso da informática nessas situações nota-se um ambiente altamente colaborativo entre os alunos, no qual eles se ajudam reciprocamente e incorporam com rapidez os progressos alcançados.
É preciso "vender a idéia" de que a informática e em particular a Internet podem acrescentar algo ao processo de ensino-aprendizagem. A Internet, e de maneira mais geral a informática, ainda geram medo nas pessoas com relação a um possível "bitolamento" dos alunos e a um possível isolamento social. A escola, independentemente de ser particular ou pública, deve por meio de sua direção estabelecer com clareza sua missão: que tipo de alunos pretende formar, com que conhecimentos, e para quê. Uma discussão e a elaboração de um plano diretor, documento descrevendo como a escola pretende realizar sua missão e em quanto tempo, gera uma semente de reflexão por parte dos envolvidos e acaba por mudar todo o ambiente. Por isso é recomendável que essas discussões sejam organizadas pela direção, mas que envolvam professores, coordenadores, administradores, pais de alunos, representantes de alunos e a comunidade em geral.
Uma vez definidas as metas da escola estuda-se como a informatização e a Internet contribuem para esses objetivos. Também nessa discussão devem ser envolvidos professores mais familiarizados com informática, os mais interessados e de preferência pais de alunos que estejam envolvidos com tecnologia e que possam ajudar a elaborar o planejamento e a implementação do projeto. Dependendo do número de participantes, será preferível trabalhar em comissões e de tempos em tempos marcar reuniões para comunicar andamentos, inclusive aos que não estão participando diretamente do projeto.
Relatórios de escolas da rede pública beneficiadas com a instalação de antenas para conexão à Internet via satélite pelo projeto GESAC – Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão – apontam para um aumento na motivação de alunos e professores a pesquisar na Internet, realizando trabalhos mais ricos e bem-fundamentados, e para os efeitos positivos da capacitação dos professores por meio do curso ProInfo, que conta agora com o uso da Internet.
Os benefícios ultrapassam o espaço escolar que disponibilizam seus laboratórios de informática para a comunidade, em horários de atendimento previamente estipulados.
Na realidade escolar em si, professores trabalham projetos temáticos em sala de aula e levam os alunos ao laboratório de informática para fazerem pesquisas, cujo material é utilizado em trabalhos, debates e apresentações. De acordo com o relatório da escola Domingos Martins, além de realizar trabalhos mais interessantes, os alunos ficam sintonizados com fatos e notícias da atualidade, por vezes mesmo em tempo real.
Professores aproveitam a Internet em especial para o planejamento de aulas, extraindo novos conteúdos, e que entre os alunos, a “euforia dos e-mails” já passou: eles estariam cada vez mais buscando a Internet como fonte de pesquisa, interação e conhecimento.
Fonte de pesquisa em 17/10/2009:
httpwww.id brasi.gov.br
Jocely Lara Martins